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E mais: as prioridades no WOCCU 2026 e a imersão em geração de negócios
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Cooperativismo de crédito: protagonismo como negócio trilionário e propulsor das comunidades

Reprodução: AnuárioCoop 2026

Segundo o Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026, do Sistema OCB, o ramo Crédito fechou o ano passado com 682 cooperativas, 22,9 milhões de cooperados e R$ 1,15 trilhão em ativos. A carteira de crédito superou R$ 516 bilhões, com R$ 198,3 bilhões movimentados em ingressos e R$ 24 bilhões distribuídos aos cooperados em sobras.

A presença territorial acompanha esse volume financeiro. As cooperativas somam mais de 10,5 mil pontos de atendimento e chegam a 59% dos municípios brasileiros – em 1.072 deles, elas são a única instituição financeira com atendimento presencial, aponta o levantamento.

Além disso, um estudo conduzido pelo Sistema OCB em parceria com a FIPE mostra o que essa presença representa para as economias locais. Municípios com cooperativas de crédito registram, em média, PIB per capita R$ 3,9 mil superior aos que não contam com o modelo, além de 25,3 empregos formais a mais por mil habitantes. 

A pesquisa também calcula que cada R$ 1 concedido em crédito cooperativo movimenta R$ 2,56 na economia e gera 22,8 postos de trabalho a cada R$ 1 milhão emprestado.

 WOCCU 

Inclusão financeira e segurança digital lideram prioridades das cooperativas de crédito até 2030

Delegação do Sicredi no WCUC 2026. Divulgação: Sicredi

Lideranças de 39 países se reuniram em Sydney, na Conferência Mundial das Cooperativas de Crédito, promovida pelo WOCCU (Conselho Mundial das Cooperativas de Crédito), para discutir os rumos do setor até o fim da década. O encontro reuniu mais de 2.400 participantes e apontou a inclusão financeira como prioridade permanente, sobretudo em regiões ainda pouco atendidas pelo sistema financeiro tradicional.

A transformação digital também ocupou papel central nos debates. Segundo balanço do Portal do Cooperativismo Financeiro, tecnologias como inteligência artificial, open finance e automação devem se tornar necessidade operacional para as cooperativas nos próximos anos, sem abrir mão de atributos como proximidade e confiança com os associados.

A atração de públicos mais jovens, a formação de novas lideranças e o investimento em segurança cibernética completam a lista de prioridades identificadas no encontro. Para os participantes, a cooperação internacional entre sistemas de diferentes países deve seguir como ferramenta de troca de boas práticas em governança e gestão de riscos.

 APRESENTADO POR UBOTS 

Ubots Summit 2026 discute aplicações de IA no cooperativismo financeiro

No dia 15 de setembro, o Hotel Deville Prime, em Porto Alegre, recebe o Ubots Summit 2026, evento voltado a lideranças e tomadores de decisão de cooperativas de crédito. A programação, das 8h às 20h, tem como eixo central a aplicação de inteligência artificial na geração de negócios, no relacionamento com os cooperados e na recuperação de crédito.

Mais do que discutir tendências, o Ubots Summit foi pensado para mostrar como a IA está sendo aplicada na prática dentro das instituições financeiras. A proposta é colocar no centro da discussão experiências reais, estratégias que já estão em operação e os aprendizados de quem está conduzindo esses projetos.

Os próprios líderes das instituições vão compartilhar seus cases, desafios e resultados. A programação também conta com mesas de negócios, criando um espaço para aprofundar as discussões, trocar experiências e entender como diferentes instituições estão enfrentando desafios semelhantes.

 REPRESENTAÇÃO 

Sistema OCB propõe mudanças nos Fundos Constitucionais para ampliar espaço do cooperativismo

O Sistema OCB apresentou um conjunto de propostas para ampliar a atuação das cooperativas de crédito na operacionalização dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Centro-Oeste (FCO), do Norte (FNO) e do Nordeste (FNE), documento elaborado em conjunto com Sicredi, Sicoob e Cresol. Em todo o país, as cooperativas somam presença em 59% dos municípios brasileiros – número que sustenta o pleito por um papel maior na distribuição dos recursos dos três fundos.

Nas regiões diretamente atendidas por eles, porém, a cobertura das cooperativas varia bastante. No Centro-Oeste, alcançam 80,3% dos municípios; no Norte, 42,2%. Já no Nordeste a presença cai para 15,2%, patamar que sobe para 21% ao considerar também os territórios de Minas Gerais e Espírito Santo abrangidos pela Sudene.

Entre as propostas, está a ampliação do repasse mínimo do FCO ao cooperativismo de 10% para 20%, a inclusão de um representante da OCB nos Conselhos Deliberativos das superintendências regionais e o avanço na formalização do acesso das cooperativas à cota de 1% a 3% do FNE já prevista na Lei 7.827/1989.

 CRÉDITO RURAL 

Microcrédito rural cooperativista acelera expansão de produtores no Nordeste

O produtor Fernando Belanda, que atua no agronegócio entre Bahia, Mato Grosso do Sul, Paraná e Maranhão, recorreu ao microcrédito rural para antecipar investimentos que, pagos apenas com recursos próprios, levariam anos para se concretizar. É o caso, por exemplo, da correção de solo, compra de maquinário e adoção de tecnologia, segundo reportagem do Valor Investe.

O caminho de Belanda reflete um movimento mais amplo em municípios nordestinos, onde cooperativas de crédito têm ampliado o acesso ao financiamento em regiões historicamente pouco atendidas pelo sistema bancário tradicional. 

Marcela Lazzari, gerente de estratégia agro do Sicredi, aponta que as cooperativas conseguem operar em cidades com PIB a partir de R$ 79 milhões, patamar bem inferior ao exigido por bancos públicos (R$ 146 milhões) e privados (R$ 220 milhões), segundo dados de 2020.

Dados do Sistema OCB mostram que, em 2025, o país tinha 3,8 milhões de cooperados entre 18 e 30 anos, 16% do total. Na Cresol, cooperativa formada por agricultores familiares, o público de 17 a 24 anos já representa 6% dos cooperados no Nordeste, e quase 10% deles atuam no segmento agro. As mulheres também ganham espaço: são 36,1% dos cooperados da instituição na região, e quase um quinto delas atua diretamente no agro.

 CAPACITAÇÃO 

Imersão discute geração de negócios nas cooperativas 

A Coonecta e a Cooperativa Coletiva promovem, nos dias 28 e 29 de setembro, em São Paulo, a ImersãoCoop Geração de Negócios, programa voltado às áreas comerciais das cooperativas de crédito. A proposta é discutir como equilibrar performance comercial e evolução de portfólio sem abrir mão da identidade cooperativista.

A programação combina estudos de caso, palestras e oficinas práticas, com participação de profissionais como Eduardo Hanauer, gerente de customer experience da Unicred União, e Joel Valentin, diretor executivo da Ailos Acentra. Entre os temas previstos estão prospecção comercial, uso de IA na antecipação de necessidades dos cooperados e disciplina em equipes de alta performance.

 ECONOMIA 

Desenrola 2.0: efeito sobre reendividamento ainda é incerto

Em três meses de operação, o Desenrola 2.0 renegociou R$ 44,1 bilhões em dívidas de famílias e empresas. O Desenrola Famílias respondeu por R$ 20,9 bilhões em cerca de 3,5 milhões de operações, com desconto médio de 82% sobre o saldo devedor original.

O Desenrola Empresas somou outros R$ 23,2 bilhões, sendo R$ 21,7 bilhões via Pronampe e R$ 1,5 bilhão via Procred, ambos com garantia pública. Já o uso do FGTS como fonte de quitação de dívidas, novidade desta edição do programa, alcançou apenas R$ 55,5 milhões, que representa 0,68% do limite de R$ 8,2 bilhões anunciado pelo governo.

Segundo a análise do Blog do IBRE, o desconto médio de 82% concedido às famílias é o dado mais sujeito a interpretações equivocadas do balanço, já que reflete a composição do estoque de dívidas renegociadas e não necessariamente uma mudança no padrão de reendividamento das famílias atendidas

Acontece no cooperativismo financeiro

  • O Sicredi projeta multiplicar por mais de dez vezes sua carteira de crédito imobiliário até 2029, informou o diretor-presidente da cooperativa, César Bochi, à Exame. A aposta ocorre em meio à expansão do mercado de financiamento habitacional no país e à possibilidade de a cooperativa trazer para dentro de casa parte dos mais de R$ 40 bilhões que seus associados mantêm financiados em outras instituições.

  • A Unicred ampliou para 26 o número de funcionalidades reunidas em seu aplicativo, incorporando soluções de cartões, previdência e consórcios em um único ambiente digital, segundo o TI Inside. A cooperativa afirma que a consolidação das jornadas financeiras busca reduzir a fragmentação da experiência dos cooperados no uso do app.

  • O Sistema OCB reforçou o apoio às cooperativas de crédito independentes durante fórum promovido pelo FGCoop em parceria com o Banco Central, em Brasília. O encontro discutiu governança, conformidade e gestão de riscos diante das exigências regulatórias mais rígidas para o segmento.

  • A gestora de recursos do Sicoob passou a integrar o ranking das 25 maiores gestoras de fundos do país, com levantamento do Estadão apontando salto de patrimônio de R$ 15 bilhões para R$ 42,7 bilhões nos últimos cinco anos. A expansão ocorreu após a cooperativa abrir a distribuição de fundos aos seus 10 milhões de cooperados, além de reforçar a atuação em renda fixa e crédito privado.

 #FICAADICA 

Durante a Semana de Competitividade deste ano, que aconteceu entre os dias 11 e 13 deste mês em Brasília, o Sistema OCB lançou o livro Raízes e Fundamentos do Cooperativismo: Cultura Cooperativista Volume 1 – Legado. A obra, produzida com apoio da Coonecta, reconstrói o percurso histórico e intelectual de construção do cooperativismo tanto como ideia quanto como modelo de negócios. Em cinco capítulos, o livro explora as raízes do cooperativismo no Brasil e no mundo, a cultura e a identidade cooperativista, a construção da memória do cooperativismo e, por fim, as ideias que sustentam o movimento. Clique aqui e acesse a versão digital.

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